“Morrer aqui é como nascer em outro lugar”
Na visão espírita a morte é apenas uma passagem para o mundo espiritual. Liberto de sua “vestimenta” carnal, o invólucro que lhe pesa de apegos materiais, doenças e vícios, o espírito se liberta e inicia sua nova jornada. A terra nada mais é que um mundo de expiações, provações e aprendizado. A verdadeira felicidade inicia-se após, a morte física do corpo.
Mesmo para quem crê nessa versão reconfortante da morte, encará-la ainda assim, constitui em um processo doloroso de aceitação.
Os ritos fúnebres que antecedem a despedida são mórbidos e revestidos de alta carga emocional. Mas, necessitamos passar por todas essas etapas, caso contrário, não há finalização. Choramos a ausência, relembramos os momentos, indagamos o que fizemos e poderíamos ter feito por aquele ente, velamos o corpo e durante esse processo, ocorre certa aceitação é como se passássemos a entender que de alguma forma, os laços terrenos foram rompidos.
O Budismo e as religiões afro-descendentes apostam na imortalidade do espírito e na continuidade da vida, já parte do Judaísmo crê na reencarnação. Mas, independente do credo doutrinário, o luto é difícil de ser digerido. Não ter a presença física de alguém, causa uma imensa sensação de vazio e dor. A morte deveria ser encarada com mais naturalidade, já que é uma certeza, mas, desestrutura e gera sofrimento. Embora saibamos que um dia todos nós teremos nossa hora de partir, psicologicamente não nos preparamos para isso, negamos essa etapa.
A vida para alguns têm início, meio e o fim, já para outros não necessariamente essa seqüência que poderíamos chamar de lógica, que consiste no nascer, crescer, reproduzir, envelhecer e morrer acontece da forma como achamos que deveria ser. Quando ocorre essa inversão, quando se morre ainda criança, adolescente ou na fase adulta, a aceitação torna-se mais complexa, pois, lamentamos o que a pessoa deveria ter vivido e não viveu. O mesmo acontece quando o fim é trágico ou repentino.
A escolha do tema foi por ter vivenciado essa situação, quando um dos meus irmãos foi assassinado aos 16 anos de idade, vítima de um assalto. Em busca de uma explicação para o meu não conformismo, achei no espiritismo, embora não seja considerada uma praticante, o conforto para minha dor. Passei a acreditar que seu destino era realmente este, que sua missão na terra era breve e que ele foi, porque era mesmo sua hora. Não sou fidedigna a doutrina, há pontos de discordância mas, é a que mais me identifico.

Partindo desta premissa, certa vez conversando com um sábio senhor que perdera seu filho ainda jovem, ouvi: “morrer aqui é como nascer em outro lugar”. Quem assistiu ao aclamado filme “Nosso Lar”, sucesso de bilheteria nos primeiros dias de lançamento, consegue ter uma idéia da imortalidade do espírito e a continuidade da vida, do lado de lá. Se é exatamente da forma como pregam os espíritas, não sei, a única certeza é que a morte ainda é um lugar inacessível para os vivos, portanto, um enigma.
Chico Xavier conhecido como o maior propagador da doutrina, publicou um instigante livro chamado “Jovens do Além”, que reúne uma série de mensagens psicografadas. Nas comunicações mediúnicas, os jovens (mortos por motivos variados) em seus relatos, trazem uma série de particularidades que o médium jamais teria acesso. Relatam nomes e apelidos, datas, enfim, fornecem dados que permitem aos familiares atestarem a veracidade da comunicação.
Bom seria se todos conseguissem um alento através de um contato com alguém que já partiu mas, como o próprio Francisco Cândido dizia “o telefone só toca de lá pra cá”, ou seja, não dependia apenas da vontade dele e sim da evolução espiritual do desencarnado e do merecimento e preparo de quem busca a notícia.
Grandes catástrofes ocorridas mundialmente como acidentes aéreos, deslizamentos, incêndios, entre outros, em que várias vidas são ceifadas, são explicadas neste contexto não apenas como conseqüência da ação do homem no mundo ou na natureza. O processo é simples, é necessário morrer para poder nascer. E há tempos já se discute o próximo ciclo, que estamos prestes a entrar. Todas essas mortes coletivas são explicadas como a “nova era espiritual”, que se inicia em 2012 e termina em 2030. Já entramos nesse processo de transição, uns partem para o mundo espiritual e outros mais evoluídos chegam com novas visões e aprendizados diferenciados, com o objetivo de equilibrar o planeta terra. É uma promessa de melhorias em vários sentidos.
Não tenho a pretensão de pregar atos doutrinários. Somos ainda um país laico, eu acredito! Minha intenção é apenas transmitir essa experiência e propor um ponto de vista. Se a morte me afeta? Sim, isso sem dúvida! Existe uma relação curiosa, medimos o amor que sentimentos pela perda de um ente querido, pelo tamanho da nossa dor. Por isso prefiro acreditar que “morrer aqui é como nascer em outro lugar”.
Uma homenagem a todos que já partiram e com a esperança que um dia, talvez iremos nos encontrar!!!